Autorregulação da IA nos EUA é criticada por professor da UFABC
Foto: Agência Brasil
Política

Autorregulação da IA nos EUA é criticada por professor da UFABC

O sociólogo Sérgio Amadeu afirmou que o acordo voluntário entre o governo dos Estados Unidos e empresas de tecnologia transfere às próprias companhias o controle sobre o desenvolvimento da inteligência artificial. Para ele, a medida pode trazer riscos à saúde pública e à democracia.

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Por Redação Rio Diário · 30 de setembro de 2026 às 13:47
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O governo dos Estados Unidos e empresas de tecnologia anunciaram um acordo de autorregulação voluntária para estabelecer controles de segurança no desenvolvimento da inteligência artificial. O compromisso foi firmado na terça-feira (29), na Casa Branca, com OpenAI, Meta, Anthropic, Google, Nvidia e X, antigo Twitter.

Entre as medidas previstas estão controles internos para monitorar os modelos e impedir que eles invadam ou acessem sistemas técnicos de forma não intencional. Também foi anunciada a possibilidade de auditorias externas independentes, custeadas pelas próprias empresas.

Para o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, a iniciativa representa uma “carta branca” para o setor. Ele afirmou que o monitoramento interno já faz parte do treinamento dos sistemas e questionou a independência de uma auditoria paga pelas companhias avaliadas.

O especialista em governança de IA Ettore Arpini, fundador da organização Plures, disse que o acordo pode produzir benefícios, mas alertou que as empresas podem abandonar o compromisso caso as medidas de proteção gerem prejuízos comerciais. Ele citou como comparação a Moratória da Soja na Amazônia, acordo voluntário que, segundo ele, terminou após mudanças no ambiente político e econômico.

Amadeu também apontou riscos ambientais, à privacidade, à democracia e à saúde pública. Na avaliação do professor, aplicações de IA desenvolvidas em parceria com empresas farmacêuticas podem levar a diagnósticos ou ao uso de medicamentos por conta própria, o que exigiria regulamentação estatal democrática.

Uma pesquisa da Ipsos e da Reuters citada na reportagem indica que 73% dos entrevistados nos Estados Unidos consideram insuficientes as medidas adotadas pelas empresas para evitar danos sociais da tecnologia. O texto também menciona riscos de ataques cibernéticos, impactos no mercado de trabalho, manipulação da opinião pública e uso de sistemas de IA no desenvolvimento de armas químicas e biológicas.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

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