Estudo aponta exploração de trabalhadores na fruticultura brasileira
Foto: © TV Brasil · Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Economia

Estudo aponta exploração de trabalhadores na fruticultura brasileira

Pesquisa da Oxfam Brasil e da Molina Consulting relaciona a geração de R$ 15 bilhões anuais nas cadeias de manga, uva e maçã a violações trabalhistas, adoecimento e instabilidade. A análise abrangeu o Vale do São Francisco e a Serra Gaúcha.

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Por Redação Rio Diário · 3 de outubro de 2026 às 04:04
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O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, segundo o estudo Dinâmicas do Trabalho Assalariado Rural. A pesquisa analisou as cadeias de manga, uva e maçã no Vale do São Francisco, em Pernambuco e na Bahia, e na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.

De acordo com a Oxfam Brasil, trabalhadores safristas enfrentam jornadas superiores a 16 horas diárias. No Rio Grande do Sul, a colheita ocorre com exposição a temperaturas de até 8 ou 9 graus negativos. No Nordeste, há relatos de longas jornadas e redução do consumo de água e das idas ao banheiro para alcançar metas.

O estudo também aponta adoecimento relacionado à exaustão física, ao frio, à exposição a agrotóxicos e à falta de equipamentos adequados. Segundo a pesquisa, lideranças sindicais do Vale do São Francisco estimam que apenas um caso formal de intoxicação seja notificado para cada 50 ocorrências reais.

A Oxfam atribui parte das violações à falta de fiscalização. A entidade afirma que a capacidade de auditoria do Ministério Público do Trabalho é insuficiente e que visitas programadas podem permitir que fazendas mascarem irregularidades.

Em 2024, foram registradas 117.341 contratações formais nas cadeias de manga, uva e maçã no Vale do São Francisco e na Serra Gaúcha. Apenas 39,2% continuavam ativas em dezembro. O estudo também estima que 69,2% dos trabalhadores do setor agropecuário atuem na informalidade.

A pesquisa destaca ainda desigualdades de remuneração: o rendimento médio mensal de mulheres pretas é de R$ 1.449, enquanto o de homens brancos chega a R$ 2.494 na mesma atividade. A Agência Brasil informou ter procurado a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados e aguardava posicionamento.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

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