

Vídeos curtos impulsionam autodiagnósticos e preocupam profissionais de saúde
Conteúdos sobre sintomas nas redes sociais têm levado usuários a buscar respostas médicas e a transformar sinais comuns em possíveis diagnósticos. Profissionais alertam que avaliações de condições como TDAH, autismo e lipedema exigem investigação individualizada.
A popularização de vídeos curtos sobre saúde ampliou a procura por informações médicas nas redes sociais. No Instagram, a hashtag sobre lipedema reúne 580 mil publicações; no TikTok, são 122 mil. Profissionais relatam que a exposição também tem contribuído para uma onda de autodiagnósticos imprecisos.
Um formato criticado por especialistas é o dos vídeos que propõem “abaixar um dedo da mão” a cada comportamento identificado, como procrastinação, desorganização ou timidez. Ao final, o conteúdo sugere que a pessoa pode ter autismo ou TDAH, embora diagnósticos psicológicos dependam de avaliação clínica individualizada.
Para Ludmilla Furtado, professora e coordenadora do curso de psicologia da Uniabeu, “A gamificação do adoecimento mental transforma sintomas complexos em entretenimento superficial”. Segundo a especialista, os conteúdos desconsideram fatores como o prejuízo funcional e o histórico de vida, além de poderem afastar pessoas do tratamento adequado.
O debate também envolve o crescimento dos diagnósticos de TDAH em adultos na Alemanha e de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Reino Unido. No caso do lipedema, endocrinologistas da Abeso afirmam que mulheres têm recebido diagnósticos equivocados e alertam para a venda de protocolos e tratamentos sem respaldo ou comprovação científica.
Fonte: Diário do Rio
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