

Entidades avaliam que crise institucional ofuscou debate eleitoral de 2026
Representantes da sociedade civil afirmam que as disputas entre ministros do STF desviaram a atenção de propostas de campanha e de problemas estruturais do país. Mudanças climáticas, ciência, trabalho e soberania nacional estão entre os temas deixados em segundo plano.
A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, entidades da sociedade civil avaliam que a crise político-institucional passou a dominar o noticiário, as redes sociais e as conversas cotidianas. Segundo os entrevistados, o cenário reduziu o espaço para a discussão de propostas e desafios estruturais brasileiros.
A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que o debate eleitoral foi prejudicado pela concentração das atenções nos reflexos da crise no Poder Judiciário. Para a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, temas como ciência, orçamento previsível e desenvolvimento nacional também deveriam estar no centro da agenda.
Os entrevistados defenderam a apuração das suspeitas relacionadas aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal. Ao mesmo tempo, consideraram necessário preservar espaço para as propostas dos candidatos aos cargos executivos e legislativos em disputa no dia 4 de outubro.
Entre as pautas citadas estão o fim da escala 6x1, a geração de emprego e renda, a regulamentação da negociação coletiva no setor público, a segurança pública e o aproveitamento de minerais críticos e estratégicos. O secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, também defendeu que a crise climática ocupe posição central no debate eleitoral.
As organizações indígenas destacaram a necessidade de salvaguardas socioambientais e de respeito à consulta prévia na exploração de minerais críticos e terras raras. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil informou ter lançado ou apoiado 56 candidatos, entre disputas para deputado estadual, deputado federal, senador, governador e suplência do Senado.
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